A tabaco e vinho tento alcançar-te;
na ausência de um espera
que nos une e divide.
Passados tantos anos sem te conhecer,
sinto que vivi a apresentação
de uma qualquer cerimónia
em que premiaram a minha carreira
com o teu coração.
Uma carreira no cinema,
da qual só me lembro
da tua entrada em cena;
chegaste vinda de um Dezembro
sentindo que contracenar comigo
valeria a pena.
Há um certo gosto
que não se dilui neste Porto
nem no fumo de Amsterdão;
o sabor da tua boca em desejo
e do conforto
que te acompanha o sorriso e a mão…
Estou aqui, absorto.
À minha volta a vida ainda gira,
imersa na artificialidade da mentira,
perdida em rumos falsificados.
Quem dera que todos eles fossem amados
como o sou por ti, mulher…
Quem dera que todos eles pudessem colher
os frutos de uma boca como a tua,
pois aí estariam eles absortos,
e comigo, deixariam de girar na vida,
largariam as coisas e estariam de partida
para onde os meus sonhos vivem soltos.
Não sei em que lugar estou,
mas estou contigo.
Absorvo esta sensação no umbigo
de ver-te chegar de mansinho…
e entregue a tabaco e vinho tento alcançar-te;
na presença de uma espera ausente
que com meus sentidos no futuro
ainda vivo no presente…
A Tabaco e vinho…
O tabaco ?… Extinge-se o cigarro com ar fresco…
O vinho?… se a água for doce bebem-se os lábios molhados e o copo fica vazio em cima da mesa…
O fumo mata a chama que se enrosca no teu peito…
Sopra o teu ar quente, porque ele é puro e não esconde o teu olhar lúcido…
O alcool mata a razão dos teus sentidos, porque ele vicia as tuas veias com o vermelho…
Porque não te intoxicas com poesia e mergulhas os teus dedos nela para matar essa tua sede de palavras?
O mundo vai adorar respirar-te fundo…
Adorei o poema!!! E cá está a minha inspiração meio ensonada e matinal…
beijinhos da fruta doce
blue