Quando eu morrer…
Morre o filósofo e o poeta,
morre o homem da caneta.
Morre o jovem e o idoso,
morre o pensante perigoso.
Morre o músico vacilante,
morre o nobre viajante.
Morre o intrépido cavaleiro,
morre o tímido prisioneiro.
Morre o charmoso galã,
morre o menino da mamã.
Morre o monstro condenado,
morre o mestre iluminado.
Morre um corpo que figura
esta Alma que perdura!
Morte!
A metáfora suprema,
a mudança de cena.
A destruição da evidência,
a afirmação da existência.
A sensação de liberdade,
a desilusão da saudade.
A podridão da biologia,
o alimento da maioria.
A promoção do lamento,
a suspensão do sofrimento,
O elemento indiferente,
o momento convergente!
Por isso,
quando eu morrer…
cantem Bécaud!
Inundem-se com a canção que vos dou
cheios da vida que vos compete:
“Quand Il est mort le poéte…”
Começo aos poucos a ouvir-te… vou voltar.
Um abraço
)