O que eu queria era não ter casa;
vaguear no mundo como um saltimbanco,
vagabundo,
exibindo os meus truques lúcidos
pelas feiras do amor e do sexo.
Queria ter nexo;
com este mundo e comigo
e não ter tecto,
nem umbigo,
transportar as miragens do que sou
por outras paragens…
Mas tenho-me aqui;
agarrado a este ermo escuro
cheio de arestas
e paredes e cantos;
eu quero é ar puro!
Quero fazer do mundo
um lar,
inseguro,
para não amordaçar…
Quem me dera fazer da minha casa
uma montanha,
uma quimera de onde todos os ventos partem,
uma floresta, um lago,
uma entranha
do ventre materno que afago
e que não estranha
quando parto.
Mil mulheres passariam por meu lar,
mil corações que não se calam,
que cantam por esta casa infindável,
sem arestas
ou paredes ou cantos;
mas repleta de espantos
e de amor insaciável…
O que eu queria era não ter casa…
ter sim o mundo
e em cada braço,
uma asa…
Gosto desta tua casa…cheira a liberdade e a palavras soltas no vento.
Sabe a mar a tua entrada…mas a sala tem jasmim nas janelas.
beijinhos
Blue